A vida do dia a dia me mostra frequentemente a diversidade de trabalhos voluntários, os quais têm o poder de mudar a vida das pessoas assistidas e, principalmente, de quem realiza o trabalho.
Muitas das nossas crenças e traumas vão sendo transformadas na caminhada do voluntariado, que vai trazendo aos poucos mais lucidez e consciência da dimensão do ser humano e de tudo o que temos para compartilhar uns com os outros.
Sua principal característica é que não traz nenhum ganho financeiro. É aí que entra uma dádiva que está vinculada ao seu coração, que é dar de si mesmo a outrem, sem esperar nada em troca.
É essa energia do ‘dar e receber’ que movimenta e mantém o universo. Dar e receber é uma lei universal, que devolve para quem a aplica toda abundância do universo. Entretanto, não podemos esquecer de que essa dádiva só é válida quando é feita com prazer, alegria, sem esperar nada em troca. Deve vir do coração. E essa energia é percebida pelo universo e não tem como burlar o que se passa dentro do seu coração.
Nesse processo aprendemos que estamos todos interligados e precisamos uns dos outros para evoluir, melhorar como seres humanos, sermos mais compreensivos, empáticos, ter compaixão e não julgar. Estamos todos aqui neste mundo para aprender e somos todos imperfeitos.
Não que o trabalho voluntário não traga cansaço físico, desgaste emocional... Isso também acontece, só que o efeito é diferente. Em vez de ficarmos nos fazendo de vítima, nos culpando, criando problemas insolúveis na nossa mente e ciclos intermináveis de pensamentos intrusivos, nós ampliamos nossa visão para além de nós mesmos.
Você deixa de ser o ‘centro do universo’, ou seja, para de ‘olhar para o próprio umbigo’ (como dizem), e percebe que existem dificuldades e problemas muito maiores do que os seus. Isso nos coloca no nosso lugar, ou seja, somos apenas mais um ser humano neste planeta, neste universo infinito, e todos nós temos dificuldades e provas a cumprir.
Tudo o que pensávamos que justificava nossas lamúrias e desculpas caem por terra e nos mostram que tudo tem solução, mesmo que difícil ou que leve algum tempo. Mas será o tempo de Deus, o tempo que você precisa para compreender que quando você ajuda o outro, você está ajudando a si mesmo.
O trabalho voluntário traz alegria, satisfação, empatia e uma incomensurável sensação de amor ao próximo que nunca experimentamos anteriormente.
As pessoas resistem em fazer algo para alguém sem esperar nada em troca. Me lembro de uma pessoa que me disse certa vez: ‘Trabalhar sem ganhar nada (financeiramente)???’
Lembro que, realizando trabalhos voluntários há anos e sabendo a sensação de plena realização que sentia, fiquei estupefata e, confesso, desiludida com a pessoa. Hoje sei que ela só tinha isso para dar de si mesma: nada. É o tempo dela, o nível de consciência em que ela está, e não há nada que eu possa fazer por ela a não ser dar o exemplo. Quem sabe um dia ela entenderá a importância e a extensão desse trabalho e saia da inércia, do egocentrismo, da falta de empatia e compaixão.
Estamos aqui neste mundo para nos ajudar uns aos outros. Isso é “amar ao próximo como a si mesmo’. Não tem nada maior que isso.
Quem já experimentou, me conta nos comentários como foi.

