Estamos num tempo onde foram criadas ‘realidades paralelas’ neste mundo mesmo. Essas realidades se misturam e se cruzam, mas as pessoas de cada uma delas não percebem a existência umas das outras.
O ‘observador’ está ausente.
É só sair às ruas, ambientes diversos, para perceber que gentileza e educação parecem não ser mais necessárias ou até mesmo deixaram de existir. Assim como, as pessoas parecem não mais reconhecer esse tipo de ação quando alguém é gentil com elas. Simplesmente ignoram.
É como se algumas pessoas vivessem no seu próprio mundo, onde não existe a percepção do outro. Já vi reportagens sobre pessoas que são ‘invisíveis’ na sociedade, como por exemplo, aqueles que realizam trabalhos como empregados de lojas e supermercados, varredor de rua, coletores de lixo urbano, e tantos outros... Por que são invisíveis? Porque as pessoas passam por elas e nem reparam no ser humano que está ali.
Uns não se importam e nem consideram a presença dos outros ou um gesto de gentileza e educação que, por vezes, recebem de alguém. São realmente ‘realidades paralelas’, onde um não enxerga o outro.
Estar compartilhando este espaço, neste planeta, requer que tenhamos trocas, ou seja, que a lei do “dar e receber” seja colocada em ação, porque a todo momento estamos nos relacionando com outras pessoas e dependemos uns dos outros para viver. Não ter consciência disso, leva uma pessoa a se tornar narcisista, egoísta, individualista, sem se dar conta de que ela não vive sozinha. E sem se dar conta de que a vida cobrará o preço.
Ao mesmo tempo, temos que admitir que cada um dá o que tem. E se avaliarmos mais com mais profundidade, ainda perceberemos que somos os espelhos uns dos outros. A cada experiência de percepção dessa realidade, vemos características que temos dentro de nós mesmos.
Estamos refletindo o que somos. Pode ser que tenhamos ações mais gentis, respeitosas, etc... mas continuamos a ter muitas outras, que estão embutidas, mascaradas, mas estão ainda dentro de nós, prontas para serem melhoradas. Por exemplo: ser gentil, mas por vaidade ou interesse; sorrir para alguém, mas xingar pelas costas; esperar retorno pelo que fez a outrem; achar-se superior ou melhor do que o outro...
A gentileza fala de alma para alma e faz bem a todo nosso corpo, principalmente ao coração. Traz um momento fugaz (ou não) de pertencimento, de empatia, de troca de boas energias, de beleza, de ‘luz’ compartilhada.
Gentilezas diversas:
Dizer ‘bom dia/boa tarde/boa noite’, ao cruzar com alguém que conheça ou até mesmo que não conheça;
Dizer ‘obrigado’ a quem quer que seja por uma ajuda ou gentileza;
Dar passagem no trânsito e respeitar o espaço do outro (estacionamento otimizado na rua, respeitar as vagas de idosos e especiais);
Ajudar um(a) idoso(a) a carregar uma sacola ou pelo menos perguntar se ele gostaria de uma ajuda;
Segurar a porta do elevador do prédio para alguém que está chegando;
Dar uma carona para alguém conhecido, quando tiver oportunidade;
Cuidar do pet de um amigo quando ele viaja;
Ajudar de alguma forma um amigo, quando ele está doente;
Levar uma planta ou flor para alguém numa visita;
Conversar com um amigo quando perceber que ele está precisando de apoio;
Acompanhar alguém para uma consulta, exame, se necessário;
Elogiar quando for o caso...
Tenho certeza de que praticamente todas as pessoas se sentem bem melhores quando recebem uma gentileza. E posso dizer que quem fez a gentileza, ganha muito mais.

