Minha coluna me parece um contrassenso, mas...
Vou fazer um pequeno desabafo, apenas para aliviar (talvez) o dia difícil... e buscar as coisas boas que deram um ‘bom senso’ à minha vida, apesar da dor.
Na vida é normal passarmos por diversas experiências, situações desafiadoras, coisas boas e ruins. Faz parte!
Quando eu poderia imaginar que teria um processo degenerativo em todo corpo, fazer muitas cirurgias (algumas delas, não deveria ter feito), e não ter o resultado que esperava? Ao contrário, houve várias sequelas, muita dor e então, o sofrimento para o resto da vida.
Todo meu corpo já sofria de uma degeneração, de origem genética, mas a coluna chamava mais a atenção, pois estava ‘desmoronando’. Decidi pelo processo cirúrgico, animada com a possibilidade de bons resultados, o que resultou em 3 cirurgias em menos de um ano de intervalo entre uma e outra. Era para ser apenas uma, mas a história complicou...
A primeira cirurgia, foi uma artrodese na lombar para corrigir uma escoliose e uma lordose bem acentuadas. Tive enxertos ósseos no lugar dos discos e uma estrutura em titânio. Depois desta, veio a segunda, para completar os parafusos até o cóccix, porque a coluna caiu com o peso de 2 quilos de titânio. E ainda uma terceira, na qual o médico resolveu retirar quase todo material. Como assim?? Foi mais uma complicação que poderia ter sido evitada. Minha coluna trincou e tive que usar um colete, com partes de aço, o dia inteiro, por quase um ano, até calcificar a coluna.
Diagnósticos errados, muitos exames, consultas, remédios sem fim, fisioterapia para sempre, sequelas, adaptações. Nunca mais tive um dia com qualidade de vida.
Hoje, avaliando tudo, percebi que minha ansiedade em obter resultados rápidos e definitivos, sem pensar nas consequências, me levou a fazer escolhas equivocadas, erradas, que marcaram meu corpo e minha vida.
Outras cirurgias foram necessárias para solucionar problemas correlacionados ou não, mas algumas também trouxeram sequelas e mais sofrimento, além de muitas cicatrizes, internas e externas.
Esta luta só teve início, não tem fim. Só é possível buscar alternativas que me deem alguma qualidade de vida. Assim, estou há anos, buscando tratamentos inovadores, além de terapias diversas, que me auxiliem de alguma forma, tentando diminuir a dor incessante e continuar a viver da melhor forma possível.
A degeneração avança devagar, também deixando suas marcas e efeitos difíceis, porque tudo gera mais dor.
Mas...
Não me entrego e por mais difícil que seja, eu ando, dirijo (carro adaptado), e procuro fazer coisas que me tragam uma satisfação e alento no meio disso tudo.
Hoje, com toda a trajetória, tenho consciência de que tive também muitos aprendizados, superações, descobertas, mudanças, autoconhecimento, transformação interior, encontros e desencontros (porque a vida vai levando umas pessoas e trazendo outras).
Provavelmente, se não tivesse tido essa vivência, eu não estaria hoje no caminho da espiritualidade de forma tão convicta, me dando o suporte mental, emocional e espiritual que eu preciso para ter resiliência e coragem.
Fui aos poucos me questionando sobre todo processo. Acho que sempre queremos que tudo na nossa vida tenha ‘bom senso’. E é claro que esse ‘bom senso’ representa aquilo que achamos ser o melhor para nós mesmos, ou seja, que tenhamos saúde, alegrias, que possamos viver bem, não ter dor, ter bons amigos.
Mas sabemos que a vida não se apresenta com todo esse ‘bom senso’ que gostaríamos. Muitas são nossas adversidades. E por incrível que pareça, justamente tudo isso que mais parece um ‘contrassenso’, é o que faz com que nossa vida tenha cada vez mais ‘bom senso’.
Talvez o mais importante é o autoconhecimento que me fez buscar o propósito da minha vida, a consciência de tudo o que eu ‘carregava’ de crenças, traumas, votos, dependências emocionais, apegos, dores internas que dificultaram ainda mais todo processo. Sempre busquei conhecimento que me direcionasse pelo melhor caminho, me proporcionando equilíbrio e harmonia.
Normalmente, não nos damos conta das oportunidades que temos para despertar nosso senso de direção no caminho da nossa evolução como seres humanos, a qual é muito mais espiritual do que material. Passamos uma vida alimentando somente vagas sensações, ilusões, esperanças, vontades, ideias, paixões. ‘Achamos’ muita coisa, mas na verdade não ‘sabemos’ nada.
Também não temos noção da nossa força interior, que com certeza nos ajuda a suportar e superar as adversidades. Temos que ter consciência de que são as grandes dificuldades da nossa vida que nos despertam para novos ‘portais’, os quais nos levarão a novas vivências e, a partir de então, com uma nova consciência. Mas nada acontece de forma fácil e sem dor.
Muitas vezes precisamos de solavancos para mudar. É difícil fazer mudanças, porque precisamos sair da zona de conforto, da ‘mesmice’ que já conhecemos e nos acomodamos. Mudar exige coragem. Adversidades exigem transformação interior e exterior. Sofrimento exige superação e aceitação. O dia a dia exige paciência e humildade. A resiliência exige amor e fé.
Essas experiências me mostraram o quanto necessitamos uns dos outros. Essa consciência é essencial para que aprendamos a amar e respeitar o outro incondicionalmente. Eu preciso do outro para evoluir, assim como ele precisa de mim, pois somos o reflexo um do outro, nos espelhamos um no outro. É assim que nos conscientizamos dos nossos defeitos e podemos melhorá-los.
No decorrer da nossa vida, vamos percebendo que tudo aquilo que consideramos um ‘contrassenso’ é justamente o que nos dá a oportunidade de despertar nossos ‘sensos’, os quais definirão nosso caminho.
Aceitar e transformar cada oportunidade da nossa vida em aprendizado e crescimento faz com que a espiritualidade se desenvolva em nós, mesmo que não tenhamos consciência disso. Então o senso de direção é definido para o “caminho do meio”, aquele que traz o equilíbrio, aquele que faz existir o bom senso mesmo com tantos contrassensos.
Só tenho a agradecer!


